A INTENÇÃO POR TRÁS DE UM DISCO: ARTE, TEMPO E IDENTIDADE

Compor, gravar, mixar, masterizar e lançar músicas hoje em dia pode parecer um ato de teimosia contra as estatísticas.


Compor, gravar, mixar, masterizar e lançar músicas hoje em dia pode parecer um ato de teimosia contra as estatísticas. Em um mercado saturado por lançamentos diários, algoritmos que ditam o que deve ser ouvido, músicas geradas por inteligência artificial e a ‘necessidade’ de criar conteúdos para prender a atenção de alguém, o cenário para quem faz música independente é desafiador. É fácil olhar para esse horizonte e questionar: vale a pena o esforço?​​

A resposta que encontrei é um sonoro sim. Mas esse ‘sim’ só fez sentido quando decidi mudar a perspectiva de como vejo o meu ‘fazer’ musical.

Durante muito tempo, como qualquer artista inserido na era digital, me vi monitorando métricas, pensando em formatos que se encaixassem melhor em playlists e buscando uma validação que vinha de fora, expressa em números, reproduções e engajamentos. Essa dinâmica, embora pareça o único caminho possível, esconde uma armadilha silenciosa: ela consome a energia e, aos poucos, nos afasta da nossa própria essência. Percebi que o foco excessivo no resultado e na aprovação do algoritmo estava esvaziando o sentido daquilo que faço.

Este novo álbum nasceu do desejo profundo de romper com esse ciclo. Voltei para os cadernos de composições antigas e para as referências do passado que me ensinaram o que era música muito antes de existirem plataformas de streaming. O processo de produção deste disco não foi guiado por estratégias de marketing, mas pela busca de uma sonoridade que fosse genuína, orgânica e honesta comigo mesmo.

Ao produzir este trabalho, compreendi que a maior vitória de um criador não está em vencer o sistema ou alcançar milhões de reproduções. A verdadeira vitória é o ato de criar algo que venha da alma e ter a coragem de colocá-lo no mundo da melhor forma possível.

Criar de forma autêntica se tornou, para mim, um ato de resistência e de celebração em um mundo inundado por inteligências artificiais. Se a validação do mundo exterior é incerta e passageira, o orgulho de ter construído uma obra que reflete a minha história e a minha verdade será permanente.

Este disco existirá simplesmente porque precisava existir. E no final das contas é o melhor e mais nobre motivo para se fazer arte. Quando será lançado o novo disco? Aguarde e acompanhe pelas redes sociais e site oficial!

Conheça também o MANIFESTO ROCK NAIF RURAL

(Texto escrito por Marcelo D'Amico. Saiba mais em marcelodamico.com

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