22 maio 2013

O cinco estrelas e a periferia

"As algemas de ouro são piores que as de ferro" - Gandhi

Tristeza profunda. Três dias num hotel cinco estrelas, convidado pra um evento no centro de convenções do próprio hotel. O desjejum é tão farto e variado que fico sem saber por onde começar. Começo pelo café, como sempre – quase sempre fico no café, mas aqui não dá. Melão e mamão, dois pães com queijo, café antes e depois, pra arrematar. Olho a fartura ostensiva, funcionários preparam coisas na chapa, fazem sucos, garçons passam entre as mesas, tiram as coisas de quem já foi, atendem pedidos. Os invisíveis são chamados quando se derrama alguma coisa no chão, pra tirar rapidamente a sujeira, vestidos de cinza, entram e saem rápido, percebo que não são vistos pelos hóspedes além do mínimo necessário, sua passagem é em silêncio. Se cumprimento algum, o olhar é de estranheza. Afinal, sou um hóspede e entre eles e os hóspedes há uma barreira invisível, mas intransponível. A naturalidade em usufruir dos privilégios sem perceber sua existência me incomoda. Não julgo, nem condeno, apenas me incomoda.

Palestinos derrubam parte do muro do apartheid

Um jovem palestino escala o muro israelense do apartheid, durante confronto com o exército de Israel, no Dia da Nakba, 15/5/2013, próximo ao posto de controle de Qalandia, nos arredores de Ramallah, Cisjordânia. (Foto de Uriel Sinai/Getty Images)

Na 6ª-feira, 16/5, à noite, um grupo de vinte palestinos abriram uma passagem no muro do apartheid, no posto de controle de Abu Dis, entre as vilas de al-Ezzariya e Abu Dis, e derrubaram parte do muro, para chegar aos arredores de Ras il-Amood, em Jerusalém.

A reação do exército de Israel foi, previsivelmente, frenética e desproporcionada. Atiraram com munição real contra os palestinos, além de bombas de som e granadas de choque. O buraco no muro foi ampliado para 4m, e, segundo Salah Khawaja, porta-voz da Ministério do Estado da Autoridade Palestina para Questões das Colônias e Muro do Apartheid, pelo menos três pessoas entraram em Jerusalém e chegaram à Mesquita al-Aqsa para as orações da tarde.

21 maio 2013

Terrorismo do Bolsa Família e os efeitos letais do boca a boca



O episódio do pânico coletivo causado pelo boato em torno do fim do Bolsa Família mostrou os efeitos devastadores do boca a boca quando as pessoas temem perder algo importante para suas vidas. As consequências foram visíveis e impactantes, mas as causas estão envoltas num emaranhado de suspeitas, que provavelmente exigirão algum tempo para serem esclarecidas.

O certo é que não foi algo espontâneo, fortuito ou ocasional. O fato de ter atingido dez estados brasileiros, na sua maioria localizados no Norte e Nordeste do país, em bairros periféricos e cidades do interior, mostra que existiu algum tipo de sincronismo para mobilizar pessoas, em geral mulheres, com reduzido acesso às fontes primárias de informação.

A ministra dos caras pálidas

Gleisi Hoffmann simboliza a opção do governo Dilma pelos ruralistas em desfavor dos índios

Você mede socialmente uma administração pela forma como os desvalidos são tratados.

Olhe para os índios, e você vai ver quanto o Brasil tem que avançar no desenvolvimento social – a despeito das frequentes autocongratulações do PT.

Pobres índios.