Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Futuro dos preços na rede


No reino da abundância, as mercadorias digitais têm custos de produção que tendem a zero. Assim, na web, a gratuidade tende a se tornar a norma, e não a exceção. É a tese que o estudioso e diretor da revista Wired, Chris Anderson, propõe em "Grátis" [Free, no título original], o seu novo livro publicado na Itália pela editora Rizzoli [no Brasil, o título é "Free: Grátis – O Futuro dos Preços", editora Campus, 2009].



Existe a economia da escassez física, aquela na qual os seres humanos passaram grande parte de sua história. E depois existe a da abundância digital, na qual começamos a viver só há alguns anos. A primeira funciona seguindo a teoria econômica clássica. A segunda se move segundo regras em grande parte ainda a serem escritas, que pouco têm a ver com os textos sagrados da "ciência triste". Para entender o descarte, basta ir a uma banca de jornal, folhear quilos de papel cheios de informação paga e depois dar uma volta online para encontrar a mesma informação (e até mais), só que grátis.


A diferença não é pouca e nem casual. É, ao invés, a característica distintiva da "revolução" provocada pela rede que transforma tudo o que pode em bits, imateriais e fáceis de serem transportados, e torna abundantes bens que antes eram escassos.

Quem pensa assim, entre outros, é Chris Anderson, diretor da revista mensal Wired e aclamado guru da rede, que desembarcou na Itália com o seu último trabalho, "Grátis" (Ed. Rizzoli). No livro anterior, "A cauda longa" (Ed. Campus, 2006), ele contava como os negócios mudam na era da abundância imaterial, quando, sem as restrições do espaço e das estantes físicas, produtos que se dirigem a poucos podem ser economicamente atraentes como os de massa.

Em "Grátis", Anderson dá um passo adiante. O futuro da maior parte dos bens digitais, diz, é marcado por um só número: o zero. O coração do argumento do novo livro é puro materialismo tecnológico. Quem irá nos levar ao reino da gratuidade serão aqueles processos em virtude dos quais o preço dos suportes de memória, da banda de transmissão e dos processadores, isto é, da arquitrave de todo fornecimento de serviços web, cai pela metade em um período entre 9 e 18 meses. Nesse ritmo, o custo marginal da distribuição de bits cai para zero, e as empresas mais agressivas se comportam em consequência disso, dando bens digitais sem pedir nada em troca.

Mas quem prosperava até ontem naquilo que está destinado a perder valor não deve se preocupar. Basta seguir os conselhos do livro e ir à caça daquela que o autor define como "escassez adjacente". Ou seja: não peça dinheiro online por aquilo que antes ou depois qualquer um irá dar de graça, mas encontre uma fonte de remuneração relacionada. Em uma palavra: "freemium": "com uma mão, doe, e com a outra faça com que paguem".

É mais fácil dizer do que fazer, mas alguns fazem. O Google, por exemplo, fatura bilhões com a publicidade online e oferece gratuitamente o YouTube, o Google News e o serviço de correio eletrônico Gmail. Flickr, site de compartilhamento de fotos, é grátis para todos, exceto para aqueles poucos que estão dispostos a gastar em funcionalidades adjuntivas. A prestigiosa conferência Ted, pelo contrário, aumenta a sua popularidade publicando gratuitamente os vídeos dos oradores na web e pede milhares de dólares para participar ao vivo dos encontros e gozar do privilégio de ter conversas interessantes nos corredores.

Poucos sabem empacotar as ideias com a maestria do diretor da Wired e da sua equipe editorial. "Grátis" mantém em perfeito equilíbrio a teoria (vejam as reflexões sobre a estratégia de maximização da distribuição do Google) e exemplos práticos (as bandas de tecnobrega, gênero musical brasileiro, que aceitam a venda de seus CDs abaixo do custo nas ruas considerando isso como publicidade para as performances ao vivo). E alterna com sabedoria histórias individuais (King Gillette que faz fortuna vendendo aparelhos de barbear de baixo custo e que ganha com as lâminas) e excursões históricas sobre o conceito de "zero", dos babilônios até os nossos dias.

Tudo tão perfeito e bem organizado que levanta a suspeita de que Anderson preferiu evitar qualquer tipo de má notícia para não sujar a confecção otimista do pacote editorial. Porém, a lógica do processo brilhantemente descrita deixa mais de uma dúvida sobre o radioso futuro prometido.

Como explicou Yochai Benkler, estudioso de Harvard, os baixos custos da distribuição na rede e a facilidade da comunicação online abriram as portas de diversos campos a milhões de indivíduos animados por motivações não pecuniárias (da paixão à diversão). Resultado: graças à Internet, uma série de domínios que até ontem eram só "econômicos", hoje são também "sociais", como a realização de uma enciclopédia (Wikipedia), a produção de softwares (o open source), a informação (blogs e sites de base).

E então, tem-se vontade de elencar no apêndice 50 modelos de negócios disponíveis, escrever listas de "táticas" e de "regras" para desfrutar as oportunidades abertas pela gratuidade trazida pelos bits. A questão, no fim, é que mesmo se tentarmos isso, em muitos setores o espaço de ação meramente econômica é restringido, e amplia-se o não monetário, e a torta dos lucros sai menor do forno digital.

"Grátis" para um passo antes de tirar essas consequências e de questioná-las. Uma pena. Talvez, seja a preocupação de não perturbar muito o humor de homens de negócios já desorientados pelo avanço do digital. Ou talvez a resistência a se admitir que, no fundo, a economia da abundância não é exatamente uma verdadeira economia. E que defini-la assim é só a extrema tentativa de inserir à força a lógica do "nu e frio pagamento em dinheiro" (Marx) em espaços onde este não é mais a motivação soberana da ação dos indivíduos.
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Sobre os flex e o IPI

Ainda sobre a redução do IPI, é importante pontuar momentos diferentes que precisaram de ações diferentes. As indústrias automobilísticas continuam ganhando muito, mas o governo deveria notar que apenas 20% do pessoal mandado embora ano passado foi recontratado. Existem outros interesses em jogo, ou seja, existem outros pontos que precisam de reflexão..
E por falar em interesse e transporte, ouvi de uma fonte do governo do Rio de Janeiro que a tentativa de regulamentar os transportes feitos com as Vans nada mais foi que uma medida para atender um pedido dos proprietários das empresas de ônibus, que dividem o transporte com Vans e Kombis. A forte queda na arrecadação destas empresas de ônibus fez com que seus donos pressionassem o governo, que por sua vez os atendeu e sufocou os donos de Vans e o público, cidadãos que pagam impostos, pois até onde sei, preferiam o sistema antes da tendenciosa regulamentação.
Enfim, fiquem com o pontual comentário de Nassif sobre os flex e o IPI:
Por Luis Nassif - O Ministério da Fazenda teve papel essencial no abortamento da crise do ano passado, com um conjunto muito rápido e eficiente de medidas pontuais que acabaram criando a massa crítica necessária para reverter o jogo.
Com isso conseguiu derrubar o tabu de que o Estado não poderia praticar ativismo econômico.
Agora, é importante não exceder e comprometer a ferramenta. Isenção de IPI para carro-flex, a propósito de serem menos poluidores, não têm nenhum sentido. Os carros flex já se constituem na maioria dos carros vendidos no país. Proceder a uma desoneração ampla na economia, como maneira de estimular a atividade econômica, é uma coisa. Expor-se a acusações de ser discricionário no uso dos instrumentos de isenção, é outra.
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Terça-feira, Novembro 24, 2009

Twitteiros Anônimos

Você que está viciado em Twitter, precisa assistir o vídeo criado por Keymi Show, sobre o ATA (Associação dos Twitteiros Anônimos. Engraçado e inteligente o vídeo.
Para assistir clique AQUI ou veja abaixo

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Uns sobem, outros descem.

Carros flex terão IPI reduzido até março. Caminhões terão IPI zero até junho de 2010. Inicialmente, a medida visava combater a crise financeira de 2008. A indústria automobilística vendeu muito com esta medida, mas só recontratou 20% do montante que mandou embora. O ditado todo mundo já conhece, "é que o de cima sobe e o de baixo desce".
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Lula quer regular internet

Tenho milhões de ressalvas neste assunto, mas entendo a nobre intenção de nosso governo: responsabilizar criminosos por respectivos crimes. Muito bem, mas existe uma regulamentação (pra não citar outras dezenas) que merecem nosso apreço.
As concessões públicas de comunicação, por exemplo, merecem fiscalização, até porque existem leis que não são cumpridas. Internet não é comunicação? Então, como manda a boa educação, comecemos pelos mais velhos, inclusive autorizando milhares de rádios comunitárias, pois o povo tem direito a se comunicar, ou seria a livre expressão e liberdade de pensamento propriedade exclusiva da grande mídia e seu sindicato paulista?
E mais, queremos canais de televisão comunitários, mas para isso precisará alguém explicar que canal comunitário não se deve acessar através de uma assinatura de TV paga, como os canais, universitários e outros, que só podem ser vistos por quem assina a NET, por exemplo. Com tudo isto sendo regulamentado, acreditarei que um bom serviço será feito na Internet. Caso contrário, será apenas mais uma medida tupiniquim: precisa-se fazer algo, não sabemos como, mas pode fazer qualquer coisa, pois na prática "a teoria é outra".
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Vendem-se argumentos

Não fique distante dos novos modismos. Com a queda do diploma jornalístico, qualquer um pode escrever artigos e publicar na mídia brasileira. Para ajudar, segue uma lista de tópicos e argumentos pré-moldados que podem ser utilizados em larga escala e com grande aceitação:
Se o assunto é: Cotas nas universidades, ação afirmativa, Estatuto da Igualdade Racial

Seus argumentos devem ser:
“Para a biologia, a raça humana é uma só. Logo, não faz sentido dividir as pessoas por raças”

“A política de cotas é perigosa. Irá criar conflitos que não existem hoje no Brasil”

“É uma ameaça à qualidade do ensino, pois os beneficiários não conseguirão acompanhar as aulas”

“Essas iniciativas representam uma ameaça ao princípio de que todos são iguais perante a lei”

“Cotas são ruins para os próprios negros, pois eles sempre se sentirão discriminados na faculdade”

Se o assunto é: Reforma agrária, MST, agricultura familiar

Seus argumentos devem ser:
“Não faz mais sentido fazer reforma agrária no século 21”

“O agronegócio é muito mais produtivo, eficiente, rentável, moderno e lucrativo”

“O Fernando Henrique já fez a reforma agrária no Brasil”

“Se você distribui lotes, o agricultor pega a terra e a vende para terceiros depois”

“O MST é bandido”

Se o assunto é: Bolsa Família

Seus argumentos devem ser:
“O pobre vai usar o dinheiro para comprar TV, geladeira, sofá e outros artigos de luxo”

“O pobre não terá incentivo para trabalhar. Vai se acostumar na pobreza”

“Não adianta dar o peixe, tem de ensinar a pescar”

“O programa não tem porta de saída” (não tente explicar o que é isso)

“O governo só sabe criar gastos”

Se o assunto é: Mortos e desaparecidos políticos, abertura de arquivos da ditadura, revisão da Lei de Anistia

Seus argumentos devem ser:
“Não é hora de mexer nesse assunto”

“A Anistia foi para todos. Valeu para os militares; valeu para os terroristas”

“Não é hora de mexer nesse assunto”

“A Anistia foi para todos. Valeu para os militares; valeu para os terroristas”

“Não é hora de mexer nesse assunto”

Se o assunto é: Confecom, democratização da comunicação, classificação indicativa

Seus argumentos devem ser:
“Qualquer regulamentação é ruim, o mercado regula”

“É um atentado à liberdade de imprensa”

“Querem acabar com o seu direito de escolha”

“Já tentaram expulsar até o repórter do New York Times, sabia?”

“A classificação indicativa é censura. Os pais é que têm que regular o que seus filhos assistem”

Se o assunto é: A política econômica

Seus argumentos devem ser:
“O governo deveria aproveitar esse período de vacas gordas para fazer as reformas que o Brasil precisa, cortando custos”

“Os gastos e a contratação de pessoal estão completamente fora de controle”

“O país precisa fazer a lição de casa e cortar postos de trabalho”

“Quem produz sofre muito com o Custo Brasil, é necessário cortar custos e investir em infra-estrutura”

“Só dá certo porque é continuidade do governo FHC”

Se o assunto é: Trabalho e capital

Seus argumentos devem ser:
“O que os sindicatos não entendem é que, nesta hora, todos têm que dar sua cota de sacrifício”

“Os grevistas não pensam na população, apenas neles mesmos”

“Sem uma reforma trabalhista que desonere o capital, o Brasil está fadado ao fracasso”

“A CLT é uma amarra que impede a economia de crescer”

“É um absurdo os sindicatos terem tanta liberdade”

(Trecho reproduzido de argumentos e escrito originalmente por Leonardo Sakamoto e publicado em seu blog).
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Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Redes Sociais em reflexão

"O poder dos fluxos é mais importante que os fluxos do poder". (Manuel Castells , sociólogo espanhol)
Esta frase foi retirada do livro "A Sociedade em Rede", de Castells, e fez-me pensar muito no atual cenário poçítico, social e comunicacional do mundo. Salvo engano, o livro foi publicado em 1999.
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Cenário político do Brasil

Por Eduardo Guimarães - A esta altura, vocês já devem saber da pesquisa CNT-Sensus que mostra expressiva queda das intenções de voto para presidente da República do governador José Serra. Alguns portais da grande mídia reconhecem que a verborragia de FHC, nos últimos dias, afetou Serra. No entanto, para mim ficou claro que a tentativa da mídia e da oposição de inventarem um "apagão" para o governo Lula é a grande responsável pela crescente desmoralização do governador paulista.


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Urna eletrônica e fraudes

Por Zezinho - A urna eletrônica brasileira é fabricada ela Diebold, uma empresa americana. No vídeo abaixo, uma equipe de pesquisadores da universidade de Princeton (EUA) demonstra que um vírus (especialmente criado para esse fim) pode alterar os votos dos eleitores, fraudando a eleição.
Obviamente, o mesmo pode ocorrer com a urna brasileira. Organizado pelo TSE, o “desafio hacker” foi realizado com regras que impediam um trabalho sério de pesquisadores, inclusive com uma limitação de tempo de trabalho de 3 horas! Sabemos que, ao longo dos últimos anos, diversas urnas eletrônicas foram extraviadas, inclusive por notícias na imprensa.


Existem mil maneiras de introduzir código malicioso nas urnas; infecção convencional por vírus, compilador adulterado, firmware contaminado, etc., etc., etc., …
Apenas uma votação não-eletrônica em paralelo, que possa ser usada para conferência por amostragem, pode evitar a fraude eletrônica de maneira eficiente.

A votação não-eletrônica em paralelo pode ser obtida pela impressão do voto, que seria apresentado em um visor transparente para conferência do eleitor (na cabine) e depois cairia automaticamente em uma urna de lona convencional.

A impressão precisa ocorrer em todas as urnas, caso contrário a rotina maliciosa poderia detectar a presença da impressora e não realizar as suas funções apenas nas urnas com voto impresso.


A apuração dos votos impressos seria feita em um pequeno percentual das urnas de lona, cujos resultados seriam comparados aos obtidos eletronicamente, constituindo uma amostragem estatística confiável.
Voltarei ao assunto mais tarde, com um roteiro completo para uma eleição eletrônica extremamente segura, com apuração rápida e auditada.
Não podemos permitir que a vontade popular e o destino de nosso povo fique tão vulnerável a manipulações, venham de onde vierem.

Quem quiser se aprofundar, basta ver o vídeo da Princeton clicando AQUI.
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Domingo, Novembro 22, 2009

44°C de sensação térmica


São apenas 44 graus celsius de sensação térmica. Não é mentira, acreditem. Acabo de entrar no sítio canaldotempo.com e constatei que nenhuma capital brasileira chega próximo deste valor. É o pior calor que já passei em toda a minha vida.
Aproveitando este momento de reflexão, gostaria de deixar claro que o autor deste blog aceita de bom coração a doação incondicional de um ar condicionado, ou então, depósitos em qualquer valor monetário com a intenção de ajudar na compra do mesmo. Obrigado.
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